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Dignidade - uma lição inesquecível
Hora de almoço, ele com a fome própria da idade, de quem tem sede de viver e aprender, uma vida inteira pela frente, chegava em casa. Era uma casa simples, como simples, porém densa, fora sua infância inesquecível, única. Terreno comprido, para os fundos, casa na lateral esquerda de quem chega, gramado do lado oposto, em direção ao fundo, indo dar numa pequena edícula, que abrigava um pequeno depósito e uma singular cozinha equipada com um velho e bom fogão a lenha. Ao passar pelo portão, viu um homem cortando a grama. Não havia cortador elétrico, como hoje, mas sim um tesourão, desses (ou daqueles) feitos especialmente para a tarefa. Sem deter o passo, contemplou a cena, pensamento no almoço feito com o carinho de sempre pela mãe querida, no aconchego do lar dos sonhos realizados de sua infância. Disse para si mesmo: "meu pai deve ter 'pirado' (muito provavelmente não teria sido esse o termo da época, mas vá lá...). A grama foi cortada na semana passada e agora, de novo!" Depois
de almoçar foi ter com seu pai, que acabara de chegar do Fórum
(como se dizia naquela época), onde exercia sua função
de Juiz de Direito: -
Não, meu filho, não me esqueci, não - respondeu
de pronto seu pai, com toda a paciência que lhe era peculiar. - Agindo de outra forma, meu filho, eu estaria ferindo a dignidade daquele homem saudável, trabalhador, você não acha?!... (o menino cheio de vida e de sonhos não disse mais nada, simplesmente teve de concordar, em silêncio, voltando os olhos pro gramado que se via do outro lado da janela lateral da sala de estar de sua casa acolhedora...). O
homem terminou o trabalho e, depois de almoçar e receber o
pagamento pelo serviço, foi-se embora, de cabeça erguida
e dignidade preservada, a passos largos e apressados, subindo a rua
de paralelepípedo escaldante, naquele dia de muito sol e céu
azul... |
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| Publicado
na Antologia de Contos Fantásticos - Volume 12 - Março
de 2008 |