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Demarcy
de Freitas Lobato
Miguel
Pereira / RJ
Um
regimento dizimado
Esta
é a história de um “Regimento” antigo que,
como num toque de mágica, foi destruído rapidamente
pelos generais do mesmo “Exército”.
Parece incrível, mas aconteceu, pois os próprios irmãos
de bandeira usaram, inescrupulosamente, da “metralhadora”
para saírem vitoriosos dentro dos interesses políticos
internos e pessoais, transformando-se em executivos mesquinhos e traidores.
Estes episódios estão sendo contados por um dos sobreviventes
que escapou porque não se encontrava no front da “batalha”,estava
com outros “soldados”no apoio de retaguarda.
Lamentavelmente, os fatos de maior destaque não se registraram
pelo lado do vencedor pois, embora se utilizando da força,
os “Generais” da situação aplicaram a estratégia
demagógica, ou seja, encostaram seus algozes na parede com
muita educação e categoria.
Foi na esfera perdedora, entretanto, que se verificou situação
deveras constrangedora, uma vez que o “General” vendo-se
perdido, abandonou os seus comandados, deixando-os à mercê
dos opositores, não lhes oferecendo o menor amparo.Na realidade,
pensando somente nele, procurava refúgio em outro “Regimento”.
O”Coronel”, oficial hierarquicamente abaixo, antes da
destruição total, continuou reunindo semanalmente os
“oficiais subalternos”, preocupado apenas com a sua imagem
pessoal, esperançoso de que pudesse sobreviver e fosse poupado
pelos vitoriosos, em razão de se considerar o mais competente,
exigindo de seus comandados a observância das ordens com o mesmo
rigor de antes, lembrando a todos o fato de que ainda tinham compromisso
com ele até o fim.
Da mesma forma, os “oficiais de batalhão” mostravam-se,
como era natural, bastante tensos e inseguros, principalmente, os
que não obtiveram acolhidas em trincheira neutra, ensejando
que os seus “soldados” ficassem sem perspectivas para
o futuro.
Em decorrência das circunstâncias, o “tiro fatal”
foi dado no final do ano, quando todos deveriam se irmanar.
Pelo aspecto humano, o acontecimento não motivou surpresa alguma,
porquanto antes mesmo da exterminação soldados e oficiais
do regimento se digladiavam com falsos sorrisos, promessas irreais
e atitudes traiçoeiras. A confraternização ocorria
de modo exclusivo na época natalina, ocasião em que
os cartões ornamentados procuravam esconder a sujeira do ambiente.
A narrativa chega ao seu término, com o expositor “sobrevivente”
convicto de que em qualquer setor profissional poderá haver
casos semelhantes, alterando tão somente os personagens, porém
sem modificar as razões precípuas de origem as quais
se referem sempre à prepotência, vaidade e, fundamentalmente,
à ganância, características de quem tem o poder
nas mãos.
Obs: Este conto se baseia em ocorrências fidedignas e reais
e foi escrito originalmente em 24 de novembro de 1980.
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