![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
|
1933: As mulheres votam pela primeira vez |
Pela primeira vez as mulheres votam no Brasil
No dia 13 de março de 1934, uma voz feminina se fez ouvir, pela primeira vez, no Congresso Nacional. Ocupava a tribuna a primeira deputada brasileira: a médica paulistana Carlota Pereira de Queirós.
Ao assumir o governo, Getúlio não só desalojou do poder Washington Luiz como dissolveu o Senado e a Câmara Federal e destituiu os governadores estaduais. As elites afastadas do poder passaram então a reivindicar uma Assembléia Constituinte como etapa necessária para o retorno do país à ordem jurídica. O Brasil conhecera em sua história duas Assembléias Constituintes. A primeira em 1823 e a segunda em 1890. Esta última deu ao país a Constituição republicana de 1891, que estabeleceu as normas legais de funcionamento da República Velha.

Comício pró Natércia da Cunha Silveira, Rio, 1933

Eleitora carioca nas eleições de 3 de maio de 1933
Uma Constituição é um corpo de leis que norteiam a vida política e social de um país. E era exatamente isso que exigiam as elites, preocupadas com os rumos socializantes que alguns tenentes procuravam imprimir à nação.
Em fevereiro de 1932, Vargas decretou uma Lei Eleitoral que convocava eleições para uma Assembléia Constituinte no ano seguinte. Essa lei instituía importantes novidades como o voto secreto, a Justiça Eleitoral (com o objetivo de coibir os abusos tão freqüentes na República Velha) e a extensão do voto para as mulheres. A guerra paulista de julho de 1932 - realizada em nome da Constituinte e em parte motivada pela descrença de que a Lei Eleitoral fosse cumprida - interrompeu momentaneamente o processo eleitoral, que acabou sendo marcado para maio de 1933.
No dia 3 de maio de 1933, foram realizadas, então, as eleições para a Assembléia Constituinte. Cada Estado escolheu deputados em número proporcional à população. Foram eleitos 254 deputados. Entre eles havia uma única mulher, Carlota Pereira de Queirós, eleita por São Paulo.

Propaganda eleitoral para a Constituinte
Carlota: 1º discurso na Câmara, Rio, 1933
Dinâmica e culta, publicou inúmeros trabalhos em defesa da mulher brasileira. Parlamentar ativa, preocupou-se com a criança abandonada, com a situação da mulher, com a educação e com a assistência social. Durante o seu mandato parlamentar, foi uma das signatárias da Constituição de 1934 e propôs inúmeras emendas, como a institucionalização do juramento à bandeira para jovens de ambos os sexos. Reivindicando sempre a "confiança do país na capacidade da mulher brasileira", a parlamentar ocupou a tribuna até o golpe de 1937, quando Vargas fechou o Congresso Nacional.