Eulina
Moutinho
Rio
de Janeiro / RJ
Anjo
triste
Cospe-me a cara
abutre de minh’alma
cava-me as carnes
assobia-me a dor do ventre
inútil seja a tua marca!
Cospe-me
a alma
abutre de minha cara
concreto e indefeso corpo
transpira a cor do Anjo triste
Omite
a ganância dos fracos
despreza a verdade dos ímpios
sangra-me os pesadelos inertes
cospe-me o resto que sobrevivi
e sai!
Sai!
Sai!
de mim...
(Para
Augusto dos Anjos - dos Anjos Tristes)
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