Luzia
Magalhães Cardoso
Rio
de Janeiro / RJ
Vazante
Me sinto no estio, sou vazante...
Errante, eu chamo por você, amor.
Te quero, espero como sempre... Amante.
No instante solto dessa noite em flor.
Um vento leste vem, assim, gemido.
E eu tomo o vinho tinto que me deu.
Delírios... Pára! Sou um sol contido.
No leito, deito e sinto o impulso meu.
Eu queimo qual fogueira ardendo ao léu.
Meu sangue ferve, nessa cama fria.
Lençól de seda desce como um véu.
Assim, eu durmo, espero um novo dia.
Nas dobras desse laço vou pensando...
Eu sou ressaca só de quando em quando.
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