Hélio Sena
Massapê
/ CE
Os
homens diante da distante aurora
eu tu ele
somos os homens
diante
da distante aurora
digerindo
a fome e o frio
nada temos nada podemos
exceto cantarolar músicas obscuras e tristes
quem
somos de onde viemos aonde vamos
são interrogações que ficaram para trás
hoje
nos contentamos em saber
que somos homens
e isso é tudo
ou talvez quase nada
entretanto
não vivemos por viver vivemos para viver
e assim viveremos
dia após noite noite após dia
até que a vida se canse de nós
de
nós que insones
xingamos a aurora
como se ela
é que tivesse perdido
a hora
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